Eleonora Mendonça

Matéria publicada no blog Corrida Nossa do Dia a Dia - 08/03/19

            - Por Thiago Lima

Hoje, as mulheres representam aproximadamente metade dos corredores de rua no Brasil. Em pesquisa realizada pela USP, em 2016 elas representavam 42% e já eram maioria em provas como as meias maratonas.

Mas nem sempre foi assim, as mulheres vieram conquistando espaço, no decorrer do tempo, com muita luta e suor. Como já retratamos aqui no blog, tudo começou em 1966 com a Roberta Gibb e em 1967 com a Kathrine Switzer. No Brasil, a Eleonora Mendonça é a mulher que leva o título de pioneira da corrida de rua, ela foi a primeira mulher brasileira a participar de uma maratona olímpica, porém a história dela é muito maior do que “apenas” de uma corredora.

Antes de começar a correr, a Eleonora joga tênis, porém, em uma aula de ginástica, rompeu o ligamento cruzado, perdeu a movimentação lateral e sem se recuperar por completo, decidiu abandonar o esporte. Foi então, que em 1971, enquanto fazia o mestrado de Educação Física, em Boston, decidiu começar a correr e nunca mais parou.

Ao voltar para o Brasil, a Eleonora começou a treinar ao redor do campo de futebol do Fluminense e meio que sem querer, acabou chamando a atenção “e foi então convidada a participar do Campeonato Sul-americano de Atletismo de 1973, no Chile, onde seria a única mulher a disputar a prova dos 1.500m rasos”¹. Mas por conta da Ditadura Pinochet, a competição aconteceu apenas no ano seguinte, o primeiro passo de uma carreira vitoriosa.

Desde então, Eleonora foi recordista brasileira e sul-americana em todas as distâncias entre os 1.500m e a maratona. Como no início dos anos 70 não havia corridas para mulheres no Brasil, participava apenas de provas internacionais, foi então que em 1978, começou a organizar corridas de rua no Brasil, com o intuito de fazer a inclusão das mulheres na corrida de rua e, justamente por isso, em 1981, realizou no Rio de Janeiro a primeira corrida feminina da América Latina. A corrida fez tanto sucesso, que na sua 4ª edição, em São Paulo, bateu o recorde mundial de mulheres inscritas, foram mais de 6 mil inscrições.

Em 1979, foi eleita presidente do Comitê Internacional de Corredores, que com muita luta fizeram o Comitê Olímpico Internacional (COI) incluir as provas de 3.000m e os 400m com barreira, além da maratona feminina nos Jogos Olímpicos, o que aconteceu a partir de 1984, nos Jogos Olímpicos de Los Angeles.

Em paralelo a essa luta pelos direitos das mulheres, pela inclusão delas e igualdade no mundo do esporte, ela continuava correndo e treinando forte, assim, entrou ainda mais na história, se tornando a primeira mulher brasileira a participar de uma Maratona Olímpica, justamente em Los Angeles em 1984.

A luta não parou por ai, o “comitê resolveu abrir um processo de discriminação de gênero contra o COI e a Federação Internacional de Atletismo. Esperamos a realização da primeira maratona em um Mundial, em Helsinque, 1983, e soltamos a bomba. O impacto foi tão grande que, três meses depois, foi anunciada a inclusão dos 10.000m na Olimpíada de Seul-1988 e dos 5.000m em Atlanta-2000. A última, os 3.000m com obstáculos, só entrou em Pequim-2008. Demorou muito, mas organizamos um grande movimento feminista no esporte. Talvez o maior”², afirmou em entrevista a “O Globo”.

Além de tudo, foi a criadora de uma das maratonas mais desejadas do Brasil, a Maratona do Rio de Janeiro. Hoje, ela preside o Instituto Eleonora Mendonça que tem como objetivo “resgatar, preservar registros históricos esportivos, divulgar e organizar eventos esportivos, culturais e sociais e traçar estratégicas de ação para o desenvolvimento do esporte e da sociedade”³.

A Eleonora é um exemplo vivo da luta da mulher pela igualdade, pelos direitos e pela democracia, ela realizou muitos sonhos pessoais e através disso permitiu que muitas outras mulheres pudessem sonhar alto, por isso e por tudo o que não coube nessas poucas palavras, meus parabéns pela história e meu muito obrigado por tudo o que fez e faz pelo esporte.

E a todas as mulheres, um feliz Dia Internacional da Mulher.

_____________________

 Referências:
1 - https://userabbits.com.br/eleonora-mendonca-primeira-maratonista-olimpica-brasileira/
2 - https://oglobo.globo.com/sociedade/conte-algo-que-nao-sei/eleonora-mendonca-ex-maratonista-organizamos-grande-movimento-feminista-no-esporte-20800899
3 - https://www.institutoeleonoramendonca.org.br/objetivos
http://runnersworld.com.br/8-mulheres-que-mudaram-historia-da-corrida-no-brasil/

A (ÁRDUA) TRILHA DA CONQUISTA

Matéria publicada na revista O2 - Mar 2018

VIDA CORRIDA

Matéria publicada na Runner´s World Brasil edição 109 - Jan/Fev 2018

8 mulheres que mudaram a história da corrida no Brasil

Publicado em 18/10/2017 na revista Runner´s World Brasil

Nas ruas ou nas pistas, elas abriram espaço para o público feminino no esporte

Hoje, o público feminino é maioria entre atletas que completam meia-maratona – uma das distâncias mais populares na corrida de rua – tanto nos EUA quanto aqui no Brasil. No ano passado, 42% dos participantes em corridas nacionais foram mulheres, segundo estudo realizado na USP.

Porém, nem sempre foi assim. Em 2015, esse número era de 32%. Há três décadas, não havia tantas pesquisas sobre o assunto, mas o que relatam as corredoras de rua da época era uma grande maioria masculina, com elas como exceção.

Por conta da militância e de grandes resultados, atletas brasileiras foram decisivas para abrir as portas a mais mulheres no esporte. Veja a história de algumas delas aqui:

  1. ELEONORA MENDONÇA

No lugar certo e na hora certa: Eleonora Mendonça cursava mestrado em educação física nos EUA quando o boom da corrida se espalhava pelo país. O ano era 1972, e Frank Shorter havia sido o campeão da mara­tona na Olimpíada de Munique. Foi nesse cenário que Eleonora começou a correr.

Quando voltou ao Brasil, Eleonora encontrou um cenário oposto. A adesão à corrida de rua era baixa, especialmente entre as mulheres. Ela começou a disputar provas nacionais e internacionais represen­tando o Clube do Fluminense e o Brasil com recordes e medalhas, mas não parou por aí. Eleonora passou a organizar eventos de corrida no país, entre eles a 1ª Corrida Avon, em 1980, exclusiva para o público feminino. “Às mulheres, só faltava oportunidade. Quando as portas se abriram, elas vieram”, diz a atleta.

Please reload